1.6.04

Quero uma parede psicodélica

Talvez sejam os programas idiotas que eu tenho assistido na TV, ou então o fim da faculdade. Ou é a idade, não sei, mas ando com uma vontade muito grande de ter o meu canto, só meu.

Não necessariamente uma casa só minha, eu não sei se estou pronta pra sair debaixo das asas da minha mãe, mas queria ter um quarto só meu, um espacinho só meu.

Sempre dividi tudo com minha irmã. Quando pequena eu detestava, meu sonho era poder ter um quarto só pra mim, nem que fosse um quarto-favela construido com madeira e papelão no fundo do quintal.

Cresci e passei a não achar tão ruim esse compartilhamento. Até porque de tempos em tempos também compartilhamos segredos, histórias, roupas, maquiagens, bolsas, sorrisos.

Mas agora... ai, é difícil ter os móveis iguais aos da irmã, e a colcha, e a porta do armário. E sempre foi assim, desde sempre, desde que me conheço por gente. Tínhamos berços iguais, e cômodas, e almofadas, e tudo. E nem somos gêmeas! Acho que entendo um pouco a aflição daquelas crianças vestidas iguaizinhas, socorro.

Eu fico pensando que se meu irmão - que é mais velho - se casasse, se mudasse, fosse pra sei lá onde, eu poderia ocupar o quarto dele. E pintar as paredes do meu jeito, comprar uma cama de casal, mudar os móveis, colocar minhas fotos mais bonitas na parede, fazer meu cantinho de trabalho e encher o quarto com meus livros, que hoje não cabem no espacinho compartilhado.

Ai ai, Freud explica? Alguém chama um analista? Vai demorar pra Rach vir pra São Paulo no feriado cuidar de mim?